terça-feira, 13 de setembro de 2016

Resumo da minha história

Ser mãe pra mim sempre foi um desejo muito presente: ainda adolescente eu já pensava num futuro conhecer alguém especial, casar e ter filhos ( sim já assim no plural!). Em 2009 este desejo se tornou realidade, casei e com muito amor decidimos logo ser o momento de aumentar a família. Fiquei quase um ano tentando, e ao mesmo tempo me preparando para o dia que chegasse o meu positivo. Li muito, troquei experiências e aos pouquinhos fui entrando neste novo mundo MATERNIDADE! Sim, existe uma grande diferença entre a maternidade da vida real e a que a gente imagina, a começar com a ideia que era só querer engravidar e tá lá o positivo no final do mês. Mas pra mim o positivo veio então após um ano, e foi super comemorado, aliás toda gestação foi uma benção, e em fevereiro de 2011 veio ao mundo a Raquel ( de parto cesáreo pois na maternidade da vida real nem sempre se consegue o tipo de parto que se quer!). Este primeiro momento em que “nasce” uma nova mãe também é cercado de mitos: não, o dia que o bebe nasce não é o dia mais feliz da sua vida: você tá inchada , cortada, enjoada, com dor, com sono...você não se apaixona pelo bebe instantaneamente, ele não sabe mamar e nem você sabe como ensina-lo. Felizmente todos estes percalços passam, a gente vai aprendendo, se conhecendo e a maternidade começa então a se transformar em algo parecido com o que se sonhou. Tanto que quando a Raquel completou 18meses, já fomos iniciando a operação bebe parte 2 e desta vez o positivo veio no primeiro mês. Eu achei que na segunda gestação tudo seria mais tranquilo, mas o destino resolveu dar mais uma grande volta. Quando estava gravida de 35semanas, meu marido foi diagnosticado com câncer de pulmão estágio IV, sem nenhuma esperança de cura. Naquele momento crescia em mim dois sentimentos: a vida e a morte – a dádiva e o luto. Eu rezava para o bebe não nascer ainda, por que queria estar em condições mínimas para acompanhar e apoiar meu marido em inúmeros exames, consultas, biopsia e esquema de tratamento...Este desejo foi atendido: me vi com 40 semanas de gestação na frente do oncologista tentando entender o que estava acontecendo e o que iria acontecer... Neste meio tempo descobrimos também que a bebe tinha um problema na formação de um dos rins, e devo confessar que a tempestade era tanta que isso foi só uma gota a mais no meu oceano de medos... Meu estado emocional estava péssimo, tudo que eu queria era meu marido ao meu lado no parto e com a proximidade do início das quimioterapias e eu já passando das 40 semanas e nada de entrar em trabalho de parto, acabei marcando a cesárea: veio ao mundo a pequena Beatriz! Ai vem novamente em dobro todos os motivos para avaliar aqueles dias como os piores da minha vida, pois além de todos aqueles inconvenientes do pós parto, estava sem meu marido - que 3 dias depois do parto já começou a quimioterapia e ficou muito mal com efeitos colaterais - tive mastite, e ainda começar a investigação do problema renal da Beatriz... Na noite que cheguei do hospital, eu e meu marido choramos juntos muito. Eu queria sumir! Mas sobrevivi! Fomos todos pra guerra: eu me recuperei fisicamente, com 2 meses a Beatriz foi operada - retirou o rim e resolveu o problema, quanto ao papai as quimios deram resultado no controle momentâneo da doença... Essa trégua serviu para a maternidade novamente mudar o seu sentido: tantas coisas pequenas já não tinham importância, vivíamos o dia de hoje, as conquistas do momento, e o que para mim é o mais lindo: ver nascer um amor entre irmãs... Eu sabia que a trégua não ia ser longa, o câncer voltou com força, eu me vi aprendendo a dizer adeus dia após dia...Até que o derradeiro adeus chegou e ai tive que viver talvez uma das experiências mais tristes da maternidade: deixar a própria dor de lado e dizer a um filho que o pai morreu e depois a cada dia ir reestruturando o conceito de família... deixar de ser mãe e renascer como ‘pãe’ (pai + mãe). Hoje a Raquel tem 5 anos, e a Beatriz 3 anos, já faz mais de um ano que sou a “pãe”, por muitos momentos quase enlouquecendo criando estas duas pitocas sozinha ( não é moleza!) . Com certeza isso não estava nos meus planos, mas toda esta experiência meu deu muita força, aprendi a aceitar que a vida é assim, a gente não tem controle de muita coisa, e só nos resta aceitar e ser feliz no hoje. Sou feliz com cada sorriso a mim direcionado pelas minhas filhas e este amor maior do mundo que é bom demais!

Um comentário:

  1. Adorei o Relato...não é facil, mais temos que entregar tudo nas mãos de Deus!
    parabens pelas princesas

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